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sexta-feira, setembro 30, 2011

Meus Carros – Fusca da Telesp – 1977

Relembrando o Passado o que é muito bom !!!!


Como todo novo motorista que a mais de vinte anos começava suas aventuras sobre as quatro rodas, aprendi a dirigir um Fusca. Não era um Fusca qualquer, mas um que meu pai havia comprado num leilão da Telesp para o uso da família. Lamento muito não ter uma foto que registre o carro como ele chegou, todo laranja com os emblemas e inscrições borrados por pinceladas de uma tinta azul, então fica essa, encontrada numa busca do Google, perfeita para lembrar aos que não conheceram ou não se lembram, como era o carrinho da companhia telefônica de SP.
Carro de leilão é uma caixinha surpresa, o lote é adquirido sem testes, totalmente no escuro. Chegou no guincho e por sorte deu a partida no motor movido a álcool depois que recebeu uma bateria nova. Esse motor era da fase experimental do Pró-Álcool, antes de ser uma opção para os carros produzidos em grande escala, equipou os veículos do Estado, como as viaturas policiais, ambulâncias e carros de serviço, como o da estatal Telesp.
Não demorou a ficar bege, ninguém em casa ficava confortável a pagar o mico de andar com o carro daquela cor. No começo a intenção foi vendê-lo, lucrando alguns trocados, mas o carrinho estava incrivelmente bem conservado, com uma suspensão suave e silenciosa, sem nunca ter levado uma batida, andava suave pelas ruas e era econômico, então passou a fazer parte da família por muitos anos e como meu pai sempre mexeu com construção, carregou de tudo: escadas, portas, madeiras, sacos de cimento, portões, latas de areia, enfim, tudo que pudesse ser encaixado no seu bagageiro de teto. Foram anos de trabalho pesado que acabaram com sua carroceria, com ferrugem e amassados, sem muita esperança de recuperação. Um dia foi encontrada uma carroceira completa num desmanche, inteira e do mesmo tom bege, feito o negócio, bastou fazer a troca e o Fusca ficou como novo de novo.
Não foi meu, sempre foi o Fusca do meu pai, mas foi o que aguentou minhas primeiras barbeiragens, incluindo aqueles solavancos de quem tira o pé muito rápido da embreagem e aquelas raspadas no portão.
A primeira experiência de dirigir foi com ele e, claro, inesquecível. Naquele ano eu completaria 18 e insistia muito para que meu pai me ensinasse a dirigir antes de entrar na auto-escola, pois como era comum naqueles dias, a maioria dos garotos já chegava na auto-escola com experiência no volante. Tinha pressa e pouca grana, por isso não suportaria o sacrifício de fazer muitas horas de aula.
Um garoto de 18 anos que nunca sentou num banco de motorista a não ser por brincadeira já sabe a teoria da arte de dirigir a muito tempo, não consegue pensar em outra coisa. Eu, pelo menos, era assim. Observava cada movimento dos pés, cada mudança de marchas, cada virada de volante. Quando andava de ônibus, procurava ficar ao lado do motorista, observando todo o seu trabalho, a arte de cada curva. Garanto que se me dessem a oportunidade, seria capaz de dirigir um ônibus lotado sem muita dificuldade. Foi assim com meu pai. De tanto encher sua paciência, num domingo à tarde, enquanto voltávamos para casa, ele se aborreceu e encostou o carro, trocou de lugar comigo e desafiou: – Vamos ver o que você sabe fazer, não quer ser motorista? Mal pude acreditar e claro que não fiz muito feio para uma primeira experiência. Toquei o carro sem errar uma única marcha e cheguei tranquilamente até em casa, sob o olhar atento e atônito do Velho. Me confundi um pouco quando precisei sair de uma avenida e entrar numa travessa, meio perdido sobre a melhor posição para driblar o trânsito no cruzamento e fazer a conversão, um taxista xingou, dane-se, no final foi uma nota 9, com louvor.
Depois de conseguir minha habilitação, um problema que vou relatar num próximo tópico, me impediu de conquistar logo meu primeiro carro, por isso continuei por pelo menos um ano dividindo esse Fusca com meu pai, que dirigia o carro durante a semana e me cedia o carrinho para os passeios das tardes de domingo. Foi uma bela experiência, aprendi muito com ele, um dos Fusquinhas mais gostosos que dirigi.



Tenho saudades e torço para que ainda continue vivo, rodando por aí.

Fonte: Clube do Fusca de Poços de Caldas - MG

3 comentários:

  1. Trabalhei com um laranjinha desses ....
    Não tinha esse suporte de escadas ,
    Eu usava para entregar malotes nos diversos prédios da Telesp em são José do Rio Preto SP

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  2. O meu é este da telesp, não está mais nesta cor, mas ainda tem alguns pedaços da cor original. Ainda roda e muito. Fica tranquilo que depender de nós ele vai rodar para sempre.

    ResponderExcluir
  3. O meu é este da telesp, não está mais nesta cor, mas ainda tem alguns pedaços da cor original. Ainda roda e muito. Fica tranquilo que depender de nós ele vai rodar para sempre.

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